{"id":626,"date":"2010-10-18T15:20:51","date_gmt":"2010-10-18T14:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/casademacau.pt\/teste1\/?p=626"},"modified":"2010-10-18T15:20:51","modified_gmt":"2010-10-18T14:20:51","slug":"retrato-de-corpo-inteiro-danilo-barreiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/casademacau.pt\/?p=626","title":{"rendered":"Retrato de corpo inteiro &#8211; Danilo Barreiros"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Retrato de corpo inteiro<\/strong><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>Jornal <a title=\"Posts de Hoje Macau\" href=\"http:\/\/hojemacau.com.mo\/?author=1\"><strong>Hoje Macau<\/strong><\/a> | 5 Out 2010<\/p>\n<p>PREF\u00c1CIO DO LIVRO \u2018DANILO \u2013 NO TEATRO DA VIDA\u2019<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-625\" style=\"float: right;\" src=\"http:\/\/casademacau.pt\/teste1\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/danilo-barreiros.jpg\" alt=\"danilo-barreiros\" width=\"204\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/casademacau.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/danilo-barreiros.jpg 204w, https:\/\/casademacau.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/danilo-barreiros-201x300.jpg 201w\" sizes=\"auto, (max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/>A figura de Danilo Barreiros \u00e9 incontorn\u00e1vel na genealogia do territ\u00f3rio de Macau. Barreiros nasceu em Lisboa e chegou ao territ\u00f3rio nos anos 30 onde se dedicou ao estudo da cultura chinesa e macaense, com profunda avidez. Daqui partiu para uma carreira multidisciplinar cheio de experi\u00eancias e de viagens. Formado em Direito j\u00e1 na meia-idade, escreveu e publicou variados romances e ensaios. Uma vida repleta de acontecimentos que vem agora para o conhecimento p\u00fablico atrav\u00e9s da pena do seu filho, Pedro Barreiros, que lan\u00e7a a biografia do seu pai no centen\u00e1rio do seu nascimento, no pr\u00f3ximo dia 11 de Outubro, no Instituto Cam\u00f5es em Lisboa. Deste lado, a obra tem lan\u00e7amento previsto para o final de Novembro no Instituto Internacional de Macau. Para hoje fica o precioso pref\u00e1cio escrito por Paulo Franchetti, cr\u00edtico liter\u00e1rio, escritor e professor brasileiro, pa\u00eds por onde Danilo Barreiros passeou tamb\u00e9m a sua mestria.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">por&nbsp;<strong>Paulo Franchetti<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Conheci Danilo Barreiros pessoalmente em 1989. J\u00e1 o conhecia de nome e de texto havia alguns anos. Mas de poucos textos. Basicamente dos seus livros sobre Wenceslau de Moraes e Camilo Pessanha. Aqueles eram outros tempos, sem internet e sem facilidades de reprodu\u00e7\u00e3o de livros. A busca e a leitura de um volume podiam at\u00e9 mesmo implicar longas viagens. Os de Danilo s\u00f3 pude encontrar na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, a quatrocentos quil\u00f3metros de casa, para onde me deslocara em 1988, com o fim espec\u00edfico de os ler \u2013 fato que muito o impressionou, quando lhe contei.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ainda me lembra perfeitamente o dia em que o conheci. Estava em Lisboa pela primeira vez e por um m\u00eas, buscando sofregamente textos sobre e de Camilo Pessanha. Uma tarde apanhei um cat\u00e1logo telef\u00f3nico e l\u00e1 busquei o nome de Danilo Barreiros, sem saber sequer se ainda era vivo ou se residia em Portugal. Telefonei e, para minha surpresa, atendeu sua mulher, D. Henriqueta, ex-aluna de Camilo Pessanha e filha do sin\u00f3logo Jos\u00e9 Vicente Jorge, amigo e conselheiro do poeta nos estudos da literatura chinesa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte, fiz-lhe a primeira visita, a que se seguiram outras, durante as quais ele me contou longamente (e eu anotei, para mem\u00f3ria futura) a sua vida aventurosa e, principalmente, o que sabia de Moraes e de Pessanha \u2013 que era muito e tinha um sabor especial narrado pela sua voz.<\/div>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Impressionou-me, desde o in\u00edcio, n\u00e3o s\u00f3 a vivacidade do seu pensamento e da sua mem\u00f3ria, mas tamb\u00e9m sua generosidade e disposi\u00e7\u00e3o de dividir, com um estranho, o muito que tinha amealhado ao longo de anos de dedica\u00e7\u00e3o. Foi, portanto, com igual dose de assombro e gratid\u00e3o que, depois de duas ou tr\u00eas visitas, sa\u00ed uma noite de sua casa carregado com grandes sacolas, nas quais se encontravam os seus livros, junto com grandes cadernos de recortes de jornal sobre Moraes e coisas do Oriente. \u201cUse o que quiser e quando precisar\u201d, disse-me ele.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do conhecimento e da enorme afetividade de Danilo, capaz de me incluir na fam\u00edlia a partir da descoberta de que minha av\u00f3 portuguesa era uma Barreira de Tr\u00e1s-os-Montes, na casa onde fui encontr\u00e1-lo ao longo de duas semanas me atra\u00eda a presen\u00e7a sempre elegante e muito discreta de D. Henriqueta, que me concedeu uma preciosa entrevista sobre os anos em que foi aluna de Pessanha. Al\u00e9m disso, o lugar da minha peregrina\u00e7\u00e3o daqueles dias reunia muitos objetos de arte chinesa, que faziam daqueles c\u00f4modos um peda\u00e7o vivo de Macau \u2013 do Macau portugu\u00eas que j\u00e1 quase n\u00e3o encontrei quando para l\u00e1 fui dois anos depois.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Foi nessa \u00e9poca que fui apresentado, em casa de Danilo, a Pedro Barreiros, m\u00e9dico e artista, cuja pintura vim depois a conhecer e admirar muito \u2013 especialmente as obras compostas a partir de poemas de Camilo Pessanha. E a quem agora, depois de ler esta obra not\u00e1vel, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um testemunho de dedica\u00e7\u00e3o e de amor ao pai e \u00e0 terra natal, admiro tamb\u00e9m como escritor.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Da leitura deste romance biogr\u00e1fico, sa\u00ed com a impress\u00e3o de que a vida aventurosa e rica de Danilo encontrou aqui o seu narrador ideal. E posso imaginar o quanto ele ficaria feliz ao se ver assim retratado, com tal fidelidade e afei\u00e7\u00e3o, pelo filho que lhe herdou os pap\u00e9is e os livros e, por meio de ampla pesquisa e sistematiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, conseguiu compor \u00e0 volta da vida do pai um v\u00edvido quadro da vida portuguesa no come\u00e7o do s\u00e9culo, aqu\u00e9m e al\u00e9m-mar. Especial relevo ganha, naturalmente, a segunda parte do livro, a partir do cap\u00edtulo XIV, quando come\u00e7a a aventurosa vida oriental de Danilo Barreiros, pois a\u00ed se juntam de modo mais harm\u00f4nico a experi\u00eancia do biografado e a viv\u00eancia do bi\u00f3grafo que, junto com Gra\u00e7a, sua mulher, \u00e9 dos maiores conhecedores e dos mais dedicados preservadores da cultura macaense em Portugal.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A melhor homenagem que Pedro Barreiros poderia ter feito ao seu pai era este seu retrato de corpo inteiro, movendo-se contra o pano de fundo de uma \u00e9poca t\u00e3o pr\u00f3xima e diferente da nossa, ainda capaz de se constituir em palco aberto \u00e0 aventura e ao exerc\u00edcio triunfante da aud\u00e1cia criativa. N\u00e3o \u00e9 trivial juntar com equil\u00edbrio e proveito o gesto afetivo, o olhar para dentro do ambiente familiar, a objetividade hist\u00f3rica e o interesse amplo na cultura geral. Por isso, se lhe \u00e9 grata a mem\u00f3ria do pai por este ato de preserva\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m lhe ser\u00e3o gratos os leitores que, por meio deste volume, poder\u00e3o ter o prazer de travar contato ou conviver de novo, por algumas horas, com essa personagem fascinante que foi \u2013 e agora, gra\u00e7as a este livro, continua sendo \u2013 Danilo Barreiros.<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retrato de corpo inteiro Jornal Hoje Macau | 5 Out 2010 PREF\u00c1CIO DO LIVRO \u2018DANILO \u2013 NO TEATRO DA VIDA\u2019 A figura de Danilo Barreiros \u00e9 incontorn\u00e1vel na genealogia do territ\u00f3rio de Macau. Barreiros nasceu em Lisboa e chegou ao territ\u00f3rio nos anos 30 onde se dedicou ao estudo da cultura chinesa e macaense, com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":625,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-626","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores-macaenses","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/casademacau.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/626","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/casademacau.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/casademacau.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casademacau.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casademacau.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=626"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/casademacau.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/626\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casademacau.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/625"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/casademacau.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=626"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/casademacau.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=626"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/casademacau.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=626"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}