José Inocêncio dos Santos Ferreira

 

Figura popular da nossa terra, onde viu a luz do dia em 28 de Julho de 1919, Santos Ferreira, vulgo “Adé”, começou por exerceu funções de amanuense na Repartição de Obras Públicas, donde, em 1943, transitou para os Serviços de Saúde e em 1956 para o Liceu de Macau onde, em 1964, se aposentou como Chefe da Secretaria. Após a aposentação assumiu as funções de Secretário da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), exercendo-as com a maior simplicidade e a par doutras actividades de âmbito desportivo, cultural e filantrópico. O seu maior prazer era estar com os amigos e poder ajudar os mais carenciados.

 

Colaborou em vários jornais, tais como, “O Clarim”, “Notícias de Macau” e “Gazeta Macaense”. O seu primeiro livro surgiu em 1960 e intitula-se “Escandinávia, terra de encantos mil”. Mas Santos Ferreira foi, por excelência, o jocoso poeta do patuá, antigo dialecto falado em Macau que soube cultivou como ninguém. Nas últimas décadas publicou diversos livros, de que nos apraz realçar os seguintes: “Macau Sã Assi” em 1968, “Qui-nova, Chencho” (1974), “Papiá Cristám di Macau” (1978), “Poema di Macau” (1983), “Macau di Tempo Antigo” (1985), “História de Maria e Alferes João” (1987) “Macau, Jardim Abençoado” (1988), “Dóci Papiaçám di Macau” (1990). Em 1992, surgiu o “Poema na Lingu Maquista”, com a chancela da Editora “Livros do Oriente”.

 

Com uma invulgar capacidade cénica, “Adé” que sempre soube congregar à sua volta inúmeros amigos, motivou muitos conterrâneos a relançar o saudoso dialecto macaense. Ele escrevia, ensaiava e era figura central das suas peças teatrais.

Às condecorações com que foi agraciado pela Administração de Macau, junta ele a de Cavaleiro de Tuborg que lhe foi concedida pelo Rei Gustav Adolf da Suécia.

Foi com profundo pesar que a comunidade macaense e não só recebeu a notícia do falecimento do “Adé”, ocorrido em Macau a 24 de Março de 1993.

 

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